Na quinta-feira, dia 07 de Abril. Eu almoçando num restaurante e as pessoas em volta olhavam para a TV sem parar e comentavam. "Que absurdo!", "Nossa, você viu que horror?". Com aquela curiosidade que é natural da nossa espécie, olhei pra TV e vi numa faixa na tela "Ex-aluno volta à escola e deixa 12 crianças mortas." Não sei porquê, mas não me chamou tanta atenção de cara. Parecia mais umas dessas notícias que o Datena vai "sensacionalizando" toda tarde. Mas quando fui andando na rua, vi que todos comentavam sobre isso, na Internet também era a primeira notícia de todas as páginas. À noite, o Jornal Nacional foi inteiro voltado à essa notícia.
Até hoje, uma semana depois, a notícia que mais se ouve falar é essa. Já não há destruição no Japão, já não há atriz jogada da janela. Tudo o que temos são opiniões e conclusões sobre os motivos que levaram Wellington Menezes à entrar na escola onde estudou e disparar pelo menos 30 tiros. Eles contam vários fatores sobre a barba do rapaz, a fixação por atentados, a atitude introvertida, o bullying e a escolha das vítimas. Sendo que o fator mais marcante é a frieza. Ela pode até decorrer de todos estes outros fatores, mas "frieza" é o julgamento mais correto que podemos dar à essa atitude cometida.
Conhecemos muita gente que sofreu e sofre bullying e não por isso saem por aí dando tiros em crianças desconhecidas. E também tem muitos barbudos que dão risada de atentados, muitos outros garotos calados que têm seus motivos, e não é todo dia e nem toda semana que vemos cenas dessas por aí. Talvez a questão seja a merda feita, e não as coisas que causaram essa merda. Têm famílias faltando um filho, têm outros filhos que tá faltando escola. A atitude é mais pra frente do que pra trás. E é só pensar.
Wellington Menezes não é um coitado sofrido, ele é um filho da puta que tirou algumas vidas numa manhã de quinta-feira, como se fosse um vídeo-game. A culpa não é da barba, do bullying ou da adoção, a culpa é da falta de olhar da família ou de conhecidos. Está claro, pelas entrevistas, que muitas pessoas sabiam das atitudes estranhas do garoto, bastava um tratamento mais pesado, real.
Agora não adianta mais fazer votação sobre a venda de armas, burlar leis é o esporte mais fácil e praticado por aí, elas constam mas quem quer fazer algo, vai atrás. O que realmente adianta é não deixar que as pessoas sintam a vontade de matar sem motivos, só isso.

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